quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

R de Rezar na era da técnica (XXVI)


O MISTÉRIO DAS ORAÇÕES


Na minha família
as orações eram rezadas secretamente,
em voz baixa, o nariz vermelho sob o cobertor;
quase murmuradas,
com um suspiro no princípio e no fim,
fino e limpo como uma gaze.

Junto à casa
havia apenas uma escada para subir,
de madeira, encostada à parede o ano inteiro,
de modo a reparar o telhado em Agosto, antes das chuvas.
Mas, em vez de anjos,
subiam e desciam homens
sofrendo de ciática.

Rezavam-Lhe olhos nos olhos,
na esperança de renegociar os seus contratos
ou adiar os respectivos prazos.

“Senhor, dá-me forças”, nada mais,
pois eram descendentes de Esaú,
abençoados com a única bênção que restara de Jacob
– a espada.

Na minha casa
a oração era considerada uma fraqueza
que nunca se devia mencionar,
tal como fazer amor.
E, tal como fazer amor,
era seguida pela assustadora noite do corpo.


Luljeta Lleshanaku
in Telhados de Vidro n.º 22, trad. de Inês Dias e Marjeta Mendes, Lisboa, Averno, 2017



terça-feira, 2 de janeiro de 2018

B de Bom Ano Novo (X)


RELIGIÃO


If I were called in
to construct a religion
I should make use of water

PHILIP LARKIN


Inaugurar uma religião:
adorar os pontos em que se formam
as estações do ano
os gestos de desnudar-se
o dia depois da chuva
a distância: entre uma árvore e outra árvore,
entre cidades com o mesmo nome
em diferentes continentes.
Criar relíquias:
os táxis ao entardecer, as colheres
brilhando ao sol
esboços de mãos e pés
de pintores antigos
as presas ensanguentadas
que nos trazem os gatos.
E ainda outras, íntimas, insensatas
a luz nos seus cabelos
as fotografias de parentes
que não sabemos quem são.
Adotar novas bíblias:
longos romances inacabados
palavras lidas sobre os ombros
de alguém no metrô
poemas clássicos traduzidos
por tradutores automáticos.
Reconhecer enfim o divórcio
como um sacramento.
Na liturgia
tocar como partituras
os mapas das cidades.
E no Natal
só celebrar o que nasce
do sexo
para morrer
de fato.


Ana Martins Marques 
in Telhados de Vidro n.º 22, 
com capa de Rui Chafes e arranjo gráfico de Inês Mateus (sobre grafismo de Olímpio Ferreira),
Lisboa, Averno, 2017

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

M de Merry Little Christmas


[...]

A luz que ali existe é uma luz espiritual, que surge em raios quase imperceptíveis a partir do recém-nascido na manjedoura, à cabeça do qual aparecem uma série de anjinhos papudos com penteados pré-rafaelitas. Na base da manjedoura, o manto azul da Virgem torna-se no mesmo negro carregado da noite; o céu é da mesma cor do que se vê através da porta do estábulo. Numa colina distante, as sombras quase imperceptíveis dos pastores cuidam de um rebanho de ovelhas cinza metalizado. Acima destes, o anjo Gabriel paira num branco espectral e angélico; enquanto mais abaixo, o boi e o jumento, praticamente invisíveis nas sombras, adoram o menino. Geertgen transmite a escuridão da noite com uma mestria que eu nunca vi em nenhuma outra pintura - isto não é possível numa foto, e talvez seja apenas possível em filme, embora custasse uma fortuna em luzes para atingir o efeito. A noite em Hampstead é desta cor. As árvores tornam-se cerradas. A lua brilha clara como o anjo. As ervas são de um castanho espectral. Os ramos prateados como branco de giz, e cada forma dissolve-se nas sombras.




Derek Jarman, Chroma,
trad. de João Concha e Ricardo Marques, (não) edições, 2015

domingo, 17 de dezembro de 2017

C de Começar o dia com um livro novo (LI)


[...]

É noite
espero-te
fumo
como a chaminé dum hospital

Escrevo
palavras que nadam num aquário
Tenho peças de relógio perdidas nas veias
Sou um colar violento ao teu pescoço de planta

Fumo
e teço um manto de algas
para te cobrir ao menor sinal de chuva

O sangue flui
com os destroços e os ossos das horas

O cigarro pega fogo à noite


in António Barahona, A Voz ao Espelho (Quinto Tômo da Suma Poética),
Lisboa, Averno, 26 de Novembro de 2017

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

E de Espera (II) - 2.º Domingo de Advento





Gerhard Richter, "Velas"

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

E de Espera (LIX) - 1.º Domingo de Advento


"O vermelho é um instante no tempo. O azul é constante. O vermelho gasta-se depressa. Uma explosão de intensidade. Vibra em si mesmo. Desaparece como faíscas de lume dentro da escuridão uniforme. Para nos aquecermos no longo e escuro Inverno quando o vermelho se ausenta. Recebemos de bom grado o pisco-de-peito-ruivo, e as bagas vermelhas que permitem a vida. Vestido no vermelho Coca-Cola do Pai Natal, aquele que traz presentes. Sentamo-nos à volta da mesa e cantamos "Rudolph the Red Nosed Reindeer" e "The Holly and the Ivy". The holly hears a berry as bright as any blood. Os nossos rostos de Inverno são tingidos de um alegre vermelho. Preservamos o vermelho como uma chama. A vida é vermelha. O vermelho é para os vivos [...]."


Derek Jarman, Chroma,
trad. de João Concha e Ricardo Marques,
(não) edições, 2015




B de Biorritmo (CV)





Life is brief. Fall in love, maidens,
Before the crimson bloom fades from your lips,
Before the tides of passion cool within you,
For those of you who know no tomorrow.

Life is brief. Fall in love, maidens,
Before his hands take up his boat,
Before the flush of his cheeks fades,
For those of you who will never return here.

Life is brief. Fall in love, maidens,
Before the boat drifts away on the waves,
Before the hand resting on your shoulder becomes frail,
For those who will never be seen here again.

Life is brief. Fall in love, maidens,
Before the raven tresses begin to fade,
Before the flame in your hearts flicker and die,
For those to whom today will never return.


Viver (Ikiru - Japão, 1952). Realizador: Akira Kurosawa

terça-feira, 21 de novembro de 2017

L de Liberdade condicional





O HOMEM DA PERNA DE PAU


Havia um homem que vivia muito perto de nós
Tinha uma perna de pau e um pintassilgo numa gaiola verde
Chamava-se Farkey Anderson
E tinha estado numa guerra para arranjar aquela perna.
Sentíamos muita pena dele
Pois tinha um sorriso tão bonito
E era um homem tão grande a viver numa casa mesmo pequenina
Quando ele andava na rua a sua perna não fazia grande diferença
Mas quando andava na sua casa pequenina
Fazia um barulho horrível.
O Irmãozinho dizia que o pintassilgo dele cantava mais alto do que todos os outros pássaros
Para o homem não ter de ouvir a sua pobre perna
E ficar demasiado triste com isso.


KATHERINE MANSFIELD
[Trad. Inês Dias
- aqui]





[Inês Dias, Lisboa-Guimarães | 011-013]

Regresso do trabalho (II)




Nuno Moura, Clube dos Haxixins
Lisboa, Douda Correria, 2016

domingo, 19 de novembro de 2017

A de "aparece de vez em quando uma inês que gostaria de fotografar coincidências" (VI)


"[...] A vida. Que é uma palavra só nossa para dizer poesia. [...]"*





* In Cão Celeste n.º 1, Lisboa, Abril de 2012

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

D de Do outro lado do espelho




*




Beatrix Potter, "O Conto do Porquinho Robinson",
in Contos, trad. de Inês Dias,
Lisboa, Relógio D'Água, 2017

terça-feira, 14 de novembro de 2017

T de Tratado de Pedagogia (XL)


"Tu as tout à apprendre, tout ce qui ne s'apprend pas: la solitude, l'indifférence, la patience, le silence."


- Georges Perec, Un homme qui dort, 1967


sábado, 11 de novembro de 2017

Y de "You can never hold back spring"


46.

Um grande poeta, meu amigo, disse-me que as buganvílias não têm cheiro. Mas nós sabemos que tudo tem cheiro, até o vidro, os navios de espelhos e as flores-de-lis tatuadas no coração das donzelas. As buganvílias, quando fenecem e se apagam lentamente, libertam, no exacto momento em que a sua luz se extingue, um suave odor a rapariga adormecida na madrugada. Os poetas sabem o mundo todo, mas nem sempre têm razão.


Rui Chafes, Entre o céu e a terra,
Lisboa, Documenta, 2012





[Lisboa, 26/10/12]

terça-feira, 24 de outubro de 2017

L de "Les yeux du chat"




[Franz Pforr, "Sulamita e Maria", 1811 - detalhe]





[Friedrich Overbeck, "Retrato do pintor Franz Pforr", c. 1810]

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O de "Onde se lê gato"


[17/10/10]
 

Pela manhã o gato estende-se
vagaroso nesse impreciso lugar
em que luz e sombra
se entretecem. Nas pedras
rondantes do que sempre chamámos
a nossa casa, esse sonho
de irmos por detrás das janelas
encarcerados nas agrestes
paredes do amor.


Todas as manhãs, enquanto
a escola me espera, o
gato é tão certo como os passos
que dele se desviam.
Um mero
olhar, a melancolia
de depois te dizer já sem o mesmo encanto
a sua negra quietude, o silêncio
em que se move.


Estamos todos, eu tu e o gato,
neste estranho sossego
de a morte ser um dia destes,
entre luz e sombra.


Manuel de Freitas, Todos contentes e eu também,
Porto: Campo das Letras, 2000

terça-feira, 17 de outubro de 2017

S de Sense of Snow (VIII)


A CULPA COLECTIVA



A neve é um esforço, nunca dorme, 
nunca pode dormir. A última neve
talvez não chegue a cair, talvez não possa
voltar a unir a água na brancura
passageira das suas mãos. Sim, amanhã
talvez não chegue a nevar, cairá a chuva,
e ao olhar de Deus seremos náufragos
de morte semanal e para sempre.


Luis Rosales, Rimas y La casa encendida, 1979
[Trad. ID]

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

I de Intimidade - b


Termina assim um poema de W. B. Yeats:

"I have spread my dreams under your feet; 
Tread softly because you tread on my dreams."


*


Termina assim um poema de Jean Genet:

"Mais pour me parcourir enlève tes souliers."




[ID, 'Pelos caminhos da manhã', 03/014]

domingo, 8 de outubro de 2017

O de "Onde se lê 'gato'..." (XIV)


"[...]
Uma gata sai com a sua ninhada de um canal da levada. Ela é um centro e os seus pequenos gatos irradiam para a luz. Vi um paralelismo com o desenvolvimento das pétalas e sépalas das malvas e sardinheiras de 'Sombras à volta de um centro' (2003, Serralves). O cone de cor vermelho vivo e o seu reverso de sombra e luminosidade, em aura, como que se desatam, na distância, na mobilidade que de um centro (que é o negro de onde sai a gata com a ninhada e que é também a própria gata) se espalha por entre as ervas altas do Verão. E sucede-se um molho de espigas secas, o terreiro que restou limpo, o chilreio dos pássaros, as lagartixas sobre as pedras.
[...] A sua linguagem e verdade - de Lourdes Castro - é a de descer nesse buraco negro que é um centro (tão idêntico àquele de onde emerge a gata) para dele sair para o movimento circular dos céus -, e trazer consigo, de um corpo, a sua sombra, para a desenhar. Para desenhar, mentalmente, a sombra de um corpo, de um objecto - a sua sombra invisível.

[...]"


João Miguel Fernandes Jorge, 
in Longe do Pintor da Linha Rubra, Patavina, 2017

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O de "Onde se lê 'gato'..." (XIII)


[Para a Maria e o Ricardo]



OS GATOS


Há um deus único e secreto
em cada gato inconcreto
governando um mundo efémero
onde estamos de passagem

Um deus que nos hospeda
nos seus vastos aposentos
de nervos, ausências, pressentimentos,
e de longe nos observa

Somos intrusos, bárbaros amigáveis,
e compassivo o deus
permite que o sirvamos
e a ilusão de que o tocamos


- MANUEL ANTÓNIO PINA




[Capa de Maria João Worm
para Cão Celeste n.º 11, Lisboa, Agosto de 2017]

sábado, 30 de setembro de 2017

O de Outono (VIII)


MARA

A chuva
não veio, os tinteiros
estão vazios,
os sonhos acomodam-se
em latas de cerveja.
Porque o Setembro,
porque esta folha de papel
fica branca, tu não dás
com a minha porta, mas
o meu cabelo cresceu,
as divas sorriem-nos
dos cartazes,
com as palavras
que eu não encontrei
um outro mata
a sua sede.
Jürg Beeler (trad. de João Barrento)
in Bumerangue 3, Guimarães, 1997




[ID, Lisboa | 012]

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

N de "No fundo, é isto" (III)


Lisboa, 18-19 de Dezembro de 1977


Minhas coisas tão docemente amadas, meu Oceano que és para mim o que nunca foste nem serás para ninguém, minhas manhãs de tímidas madrugadas, minhas águas correntes de regatos imensos que não estão no corpo mas na alma e desaguam sempre noutro rio até chegarem àquele a quem os antigos chamavam Letes. Minhas queridas nuvens:

É uma grande ingratidão amar-vos tanto e ainda vos não ter escrito. Mas sei que me hão-de perdoar. Se só agora vos falo é porque talvez esteja agora mais longe de vós e mais sinta a vossa falta. Talvez por ter sido sempre impenetrável na minha completa solidão e me convencer finalmente que vou morrer tão só como nasci e cresci. Só que então eu não dava por isso. Damos sempre pelas coisas quando elas já passaram… Não sei porque escrevi «Damos»… «Dou» era o que eu devia ter escrito. Esqueço-me sempre de que só posso falar — e aproximadamente — de mim. Com o resto nem sequer me devia preocupar. O milagre de estar vivo e de vos conhecer é tão grande que me devia bastar para encher os dias todos, mesmo que eles fossem muitos. Mas… esquecemo-nos tão depressa destas coisas tão simples! Lá estou eu a falar outra vez no plural! Nisto como em tantas outras coisas não vou ter emenda até ao fim dos meus dias.

Quando vocês me conheceram eu ainda não dava sequer por vós, meio assustado ainda com a vida… Agora já muito pouco me assusta, ia a dizer quase nada. Por isso abro mais vezes os olhos para vós e chego a pensar que me escutam.
Foi tudo tão rápido embora eu goste de velocidades!!! E no meio de duas pessoas que se encontram como no meio de alguém que se encontra a si próprio há sempre um espaço qualquer que nem por poder ser muito pequeno deixa por isso de ser muito importante. Tão importante que se não existisse não havia o Mundo… Tenho pena de vos deixar assim… Mas não é o hesitar que faz o êxito. E muito menos o ser de Tão Longe.

Tenho-vos sempre na lembrança.

Mário


Mário Botas
in Aventuras de um  crâneo e outros textos,
org. de Daniela Gomes, Inês Dias, Luis Manuel Gaspar e Manuel de Freitas,
Lisboa: Averno 2013




[ID, Nazaré | 013]

terça-feira, 19 de setembro de 2017

M de Moeda única (ou T de Tempo)




Manuel de Freitas, Jukebox 2,
com capa de Inês Dias, Teatro de Vila Real, 2008





Inês Dias, Café Estádio, 2013

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

T de Tratado de Pedagogia (LXVIII)


Depressa antes que se veja
traz a água quente, a água
oxigenada, o mercúrio, a tintura,
a lixívia, a borracha.
Cortei, desenhei do outro lado
um fruto, forma de uma linha
única, queria pôr do outro lado
outro coração. Mas não há
outro lado nem outro coração,
depressa não quero que vejam
não quero.


Helder Moura Pereira, Mercúrio,
Lisboa, frenesi, 1987

F de Falar para as paredes (IX)


TEMA


Foram quintais de dois invernos,
um desenho na janela para explicar
qualquer coisa sobre nós, qualquer coisa
terrivelmente alheia às palavras. 

Pequenos alicerces do próprio tempo,
quem diria que os podíamos
apagar? Iam do princípio ao fim
dos meses, era onde se agarrava 
o ramo branco da casa.


Rui Pires Cabral, Praças e Quintais,
Lisboa: Averno, 2003




[ID, S. Miguel, 17/08/11]



NOMEAR-TE


Não o poema da tua ausência,
Apenas um desenho, uma fresta num muro,
Algo no vento, um sabor amargo


Alejandra Pizarnik, 30 Poemas, 
trad. Inês Dias e Manuel de Freitas, 
Lisboa: Língua Morta, 5 de Setembro de 2011

sábado, 16 de setembro de 2017

T de Tratado de Pedagogia - LXII


Outro dia reli o romance de Thomas Mann, A Montanha Mágica. Este livro encena uma doença que eu conheci muito bem: a tuberculose; através da leitura, reunia na minha consciência três momentos  dessa doença: o momento da anedota, que se passa antes da guerra de 1914, o momento da minha própria doença, por volta de 1942 e o momento actual, em que a moléstia, vencida pela quimioterapia, já não tem a mesma gravidade que tinha antigamente. Ora a tuberculose que vivi é muito pouco parecida com a tuberculose da Montanha Mágica: os dois momentos confundiam-se, igualmente afastados do meu presente. Apercebi-me então com espanto (só as evidências podem espantar) que o meu próprio corpo era histórico. Em certo sentido o meu corpo é contemporâneo de Hans Castorp, o herói da Montanha Mágica; o meu corpo, que ainda não tinha nascido, tinha já vinte anos em 1907, o ano em que Hans penetrou e se instalou na "região do alto"; o meu corpo é bastante mais velho do que eu, como se nós conservássemos sempre  a idade dos medos sociais por que passámos ocasionalmente. Se, afinal, quero viver, devo esquecer que o meu corpo é histórico e devo alimentar a ilusão de que sou contemporâneo dos jovens corpos presentes e não do meu corpo passado.  Numa palavra, devo renascer periodicamente, tornar-me mais jovem do que sou. [...] Há uma idade em que se ensina o que se sabe; mas surge em seguida uma outra em que se ensina o que se não sabe: a isso se chama procurar.


Roland Barthes, Lição
trad. Ana Mafalda Leite, Lisboa: Edições 70, 1988

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A de A poesia é o menos (XI)




Miguel Martins, O Caçador Esquimó,
Lisboa, Fahrenheit 451, 2017